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...VOU AMAR, ATÉ QUE O AMOR ACEITE QUE ELE NÃO TEM QUE SER RECÍPROCO.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Algo incomoda você?


Cidadão Macambira


Meu nobre desconhecido, permita-me atentar contra seu comodismo e igualmente pedir seu radicalismo contra todas as safadezas de todo e qualquer cidadão, deste e de qualquer outro país. Permita-me atentar contra sua possível incapacidade de se indignar e igualmente pedir que não abra mão de seu direito de sonhar. Sonhar não é alimentar fantasias, ao contrário, é acreditar que é possível fazer diferente, e fazer diferente é estimular milhares de outros cidadãos a seguir seu caminho.
Meu nobre cidadão desconhecido, este país "não sabe" o que é justiça, mas nem por isso devemos nos atirar, às cegas, ao nosso desejo de fazê-la com as próprias mãos, não obstante a dor que nos martiriza pela usurpação de nossos direitos mais elementares. Não tenho dúvida de que podemos, senão fazê-la, ao menos provocar para que, de alguma forma, ela seja feita. Podemos sim, embora possa haver alguém que ache o contrário. E para mostrar que podemos, convido você a acompanhar meu raciocínio a respeito.
Por exemplo: insista em não abrir mão de seu direito, negue-se a fazer o que “condena” nos outros, negue-se ao direito de calar-se, negue-se ao direito de condenar a fraqueza de quem não conseguiu a mesma vitória que você, negue-se ao direito de censurar o diferente, ao contrário, tente ver nele, o mesmo direito de escolha que vê em você. Seja sensato sem deixar de ser crítico, seja razoável, sem deixar de radical, seja duro sem perder o direito de sensibilizar-se. Não comungue com a violência contra o indefeso, seja cuidadoso com as ordens de sua ira ou mesmo de sua razão, não aceite o estabelecido como ponto final.
Tudo que aí está foi alguém que estabeleceu, isto é, muito do que temos como legal, nada mais é que fruto da imposição de alguém que teve a “força”, portanto, o poder de impor, em determinado momento da história, e que pela fraqueza de tantos outros, foi ficando como legal, como norma, como ordeiro, como regra. Ou seja, a vontade do mais forte foi imposta como regra, a qual se tornou lei, a qual impôs ao mais fraco a obrigação de obedecê-la, a mesma que determina como crime sua desobediência.
É hora de repensarmos nossa sociedade, suas regras, seus “senhores”, suas razões, suas lógicas, e onde couber, sugerirmos oportunas alterações de modo que outros atores possam fazer parte da cena. Não é razoável que se aceite uma regra baseada em caprichos e pseudos direitos de grupos em detrimento de quem quer que seja. A riqueza de um país não pode ser concebida a uns e negada a outros, uma vez que todos participam de sua construção, claro, obedecendo a devida proporção. Não se deve aceitar passivamente que a educação, a saúde, o emprego, a segurança, portanto, o bem estar, não sejam patrimônios de todos. Da mesma forma, é dever de quem se arvora como administrador, seja da nação, seja de um reles município, assegurar a ordem pública perante seus cidadãos e igualmente dar o exemplo que exige desses.
Portanto, meu nobre desconhecido, se quisermos podemos sim, promover a mudança, basta que nos posicionemos aqui, de onde não devemos arredar pé, de modo a cobrarmos tudo daqueles que vierem assumir tais responsabilidades, claro, igualmente negando-nos tudo que condenarmos neles ou em qualquer outro. Para tanto, precisamos ser corajosos, perseverantes e jamais imediatistas. Caso não consigamos ou não estejamos dispostos a assumir tarefa tal, certamente não estaremos em condição de pretender nada, tampouco de sonhar.