eu...

...VOU AMAR, ATÉ QUE O AMOR ACEITE QUE ELE NÃO TEM QUE SER RECÍPROCO.

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domingo, 30 de março de 2008

soneto

dor de amor


como posso amanhã não sentir nada,
ante ao que ora meu coração reclama?!
se sinto a vida tão desfacelada
a reduzir-se na voracidade dessa chama?!

como posso contentar-me na esperança
de que toda paixão é passageira,
se tudo que resta por lembrança
só implora que esta seja a derradeira!

e assim se impõe essa dor soberana
tanto que a nobreza parece leviana
em tantos papéis num palco sozinha,

eis porque meu peito inflama
e querendo e não querendo chama
essa dor de amor só minha.

sábado, 29 de março de 2008

Crônicas

O pastor aprendiz


O pequeno pastor nada queria que não um grande rebanho para tocá-lo de pasto em pasto,
o que aprendera com seu velho pai, seu bom pastor.
Não conseguiu seu grande rebanho.
Um rebanho modesto lhe serviria.
Não o conseguiu.
Já aceitava um pequeno rebanho.
Não o conseguiu.
Desejava um casal de ovelhas para pastorear;
quem sabe formaria daí seu rebanho.
Não o conseguiu.
Imaginava-se feliz pastor, já não sonhava possuir rebanhos...

sexta-feira, 21 de março de 2008

CARTAS

De amor,


Você (...) me fez sentir um amor tão bonito!
O mais bonito,
Mesmo não tendo mais que sorrido pra mim,
E como não aceito não amar por inteiro
Amei você a partir de seu olhar,
Reforcei esse amor por seu sorriso
E torci pela esperança de amar você
E ao meu modo, eu te amei;
Talvez você tenha sentido o que senti por você,
Mas infelizmente
Corresponder não pôde;
A razão é o que menos importa,
Até porque amor e razão não se entendem,
Só sei que amei cada instante que estive ao seu lado
Semeando esperança, colhendo alegria
Por uma razão que não era eu,
Mas para a qual eu colaborara;
Você fazia, sem querer, talvez, eu me sentir feliz,
E todos os passos que eu dei, contigo ou por ti,
Os dei por amor;
Até que você incomodada, talvez,
Entendeu que precisava me fazer parar,
Parar de buscar você,
Pois o “mundo” já não te escondia de mim;
Foi então que disseste
Que seu amor não podia me dar,
Eu entendi, mas sofri,
Até porque ninguém no mundo
Teria o meu senão você,
E tive que romper com isso,
E uma dor terrível, por mim e por ti
Tentou e tentou me calar,
E de alguma forma eu calei;
Eu ouvi o grito de sua dor,
Eu chorei lágrimas não apenas minhas,
E pensar que só queria te fazer feliz,
O amor de minha vida,
A razão dos sonhos meus,
A mãe de meus possíveis filhos…
…e de mim o mundo dos sonhos seus,
Então ter que aceitar sumir de você…
...ah! Por amor eu chorei.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Fotos

Curtindo a noite de Aracaju, esse foi um momento especial, é assim que vamos construindo nossa história.














Viver o mar é muito mais que sentir a natureza, é fazer parte dela. Foi assim que me senti nessas férias em Aracaju.

domingo, 16 de março de 2008

Poemas

O apelo do silêncio

Perdão oh meu pai divino,
Por sua obra pretender versar,
Isso sou eu em minhas alegrias,
E em minhas tristezas querendo ajudar;

Das coisas que entendo e que não entendo,
Em minha humildade eu quero falar,
A começar pelas secas que nos matam de sede,
E pelas enchentes que nos faz naufragar;

Não entendo o sol contra o lavrador,
Não entendo as chuvas fora de lugar,
Não entendo o silêncio das vítimas,
Não entendo a justiça que nos faz penar;

Não entendo a força das águas,
Porque todas elas só correm pr'o mar,
Por que, que os rios não correm pra cima,
Se os oceanos se encontram por todo lugar;

Não entendo os filhos que abandonam seus pais,
E não entendo estes que os fazem chorar,
Entendo os sentimentos do homem de bem,
Mas não entendo o homem que pensa em matar;

Não entendo a promessa que a bíblia nos fez,
De que vosso filho pretende voltar,
Não entendo a guerra das religiões,
Se todas pregam que devemos amar;

Eu não entendo o medo dos homens,
Por que o bem perde e o mal tem que ganhar,
Não entendo a força do destino,
Não entendo os limites a nos separar;

Eu não entendo a guerra das cores,
O preto e o branco a se discriminar,
Não entendo porque a natureza,
Diz que um tem que morrer para outro escapar;

Eu não entendo tanta inteligência,
A serviço do mal quando devia estar,
Trabalhando pelo amor do mundo,
Que vosso filho pregou antes de nos deixar;

Também não entendo tanta ignorância,
Quando todos deviam poder estudar,
Mas como entender oh! Meu pai altíssimo,
Essa espera eterna para te encontrar!

Desde que nasci que ouço os mais velhos,
A dizer que o mundo vai se acabar,
Mas eu não entendo esse fim do mundo,
Se todo dia ele acaba, como recomeçar?!

Também não entendo o juízo final,
Onde dizem que vamos nos encontrar,
Mas entendo não ser em vão minha luta,
De em Vossa justiça sempre confiar.
Biscateiros de carteiras

Eu sou biscateiro,
Não nego, sou interesseiro,
Gosto de dinheiro
E o meu primeiro;
Eu tenho amigos
Que concordam comigo,
Também inimigos,
Uns tais antiquorum,
Tolos reacionários,
Contra seus próprios salários,
Quem eles pensam que são?
Aqui ou lá no congresso,
Palavras! Não meço,
Meto o pau na oposição,
Se me enfrentam
Pobres bactérios!
Quorum!
Só dou quando quero,
A maioria lidero,
E assim biscateio
Cargos, mordomias e jetons,
Amigos e inimigos bons,
Garantindo assim
Nossa reeleição;
O povo é receptivo,
Ignorante, mas compreensivo,
Apesar dos subversivos;
Um abraço,
Um aperto de mão
Causa-lhes nova impressão,
E na próxima eleição,
Essa enorme multidão
Ao congresso nos retornarão,
E lá nos aposentaremos,
Mas jamais nos negaremos,
A esse povo que sabemos,
Não nos esquecerá,
Pois se alguém tropeça
Não há quem nos impeça
De lhes condenar,
E darmos aos brasileiros,
Testemunho de justiceiros,
A lhes defender,
E assim,
Quem nos acusará?
CPIS! Quem as formará?
Pra nos investigar?!
E se alguém se ousar,
O faremos calar;
Tal culpa,
Saberemos a quem dar,
E nos manteremos,
Líderes, presidentes,
De câmaras, senado e nação,
Estados, municípios e povão,
E assim passaremos nossas cadeiras,
Aos nossos e/ou nossas herdeiras,
Dando-lhes por garantia
E em nome da democracia,
Nossa história, nosso nome,
De grandes e pequenos homens,
Como herdamos de nossos pais,
Antes e ainda fácil demais,
E cada dia mais;
Uma política industrializada,
De manobras organizadas,
E mentiras deslavadas,
Mas que nos somam
Incríveis dividendos,
E felizes vão sendo,
Quem no poder morrer,
E assim se defendendo
De mesmo, remotos,
Inquéritos horrendos,
Estupendos.

domingo, 9 de março de 2008

A Flor e a Fonte

"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...


Vicente de Carvalho

quarta-feira, 5 de março de 2008

uma vez no vietnã

uma vez no vietnã

eu vi a criança
além da criança
que em chamas corria
vestida de dor;
por trás d’uma tela,
ou em frente dela,
aos olhos do mundo
estúpido pavor;
então de joelhos
minhas lágrimas vermelhas
selavam o fim de uma esperança;
eu queria,
mas não vi o homem
só vi sua mão naquela criança

domingo, 2 de março de 2008

CONTOS

Um remédio.


Aquele dia amanhecera lindo, um sol suave prometia um dia sem frio e sem calor já às primeiras horas daquela manhã; eu não podia esperar mais, era meu primeiro presente de aniversário, (daquele), pois eu estava aniversariando. O dia era tão bem começado que não sobrava vaga para pensamentos negativos, eu estava contente e aguardava a turma para iniciarmos o dia em grupo. Eu tinha uma turma maravilhosa, senti-me o garoto mais feliz do mundo.
Há mais ou menos uma hora pra chegada da turma, chegou meu melhor amigo, não estranhei seu adiantamento, recebi seu abraço, que pena, entristeci, pois ele não estava feliz. Ele me entregou seu presente, uma pequena caixa, esta era baixa e retangular. Eu a peguei, a coloquei sobre a mesa e o olhei novamente, percebi seu esforço por alegrar-me, eu lhe sorri e ele pediu que eu a abrisse.
Comecei abri-la; dentro desta tinha uma segunda, e desta, uma terceira; eu o olhava e procurava perscrutá-lo, estava curioso e feliz, meu amigo brincava comigo, contudo, sobrarara um pequeno tris da primeira impressão, meu contentamento estava, lá no fundo, acabrunhado; e dentro da terceira caixinha, a qual não podia conter mais que um pequeno cartão, uma jóia ou coisa desse porte, eu encontrei uma grande folha de papel e no centro desta, uma frase seca, com palavras contadas, como se fosse um título d'um melodrama.
Eu a olhei, li em silêncio, sem palavras e sem som, olhei meu amigo, ele parecia qualquer coisa que eu não conhecia, esforçava-se pra não estragar meu dia, forjou um sorriso sem graça e fez nascer em mim um novo sentimento.
Olhando-o em seus olhos, sorri compreensivo, lhe abracei, beijei seu rosto e lhe agradeci. Como ainda faltava algum tempo pra hora combinada, ele pediu pra ir à sua casa e garantiu que retornaria. Eu só lhe perguntei, e Soninha? Soninha era a namorada dele, ele respondeu: “também”. Eu lhe sorri mais uma vez e o deixei ir.
Antes que o pessoal chegasse fiz uma longa viagem.
Ele não queria que todos soubessem; apenas eu.
Passamos um dia quase perfeito, os detalhes cederam seus espaços ao todo, e no dia seguinte, em plena sala de aula, cantaram novos parabéns para mim. Para agradecer a meus amigos, fui até à mesa da professora, pedi licença a esta para dizer alguma coisa e disse:
— Eu sou profundamente grato por tê-los como amigos. Eu entendo e quero que entendam: nossas vidas se prendem ao agora, o passado é continuação d'um agora que vivemos, o agora será sempre o agente da história, e, tirando nossos sentimentos, somos iguais em tudo, pois só o que sentimos nos diferencia, e eu queria que continuássemos sentindo, um pelo outro, para todo sempre, esse carinho de agora.
Todos correram até mim, me abraçaram e me beijaram, e minha professora, alheia em meus dezesseis anos, apenas me olhou em silêncio, sorriu e me beijou.
O tempo em sua velocidade constante consome nossa juventude, alguns o acompanham, muitos o assistem.
Meu amigo e sua namorada têm em mim o remédio que a ciência ainda lhes nega e enquanto ele começa a batalha em seu cavalo negro, ela angustia-se por vê-lo sofrer e por não saber quando sua dor começará.
Um certo dia, fui procurado pelas mães de ambos, elas, embora tristes, foram diretas.
— É Raul, nós sabemos que você é o único que sabe sobre nossos filhos, e, mesmo sendo você muito jovem, nós queremos sua opinião sobre como manter tal silêncio ante a angústia deles. Soninha parece ter um organismo mais forte, pois ainda não há sintomas, mas, quanto a Ricardo, já é público seu padecer. Você sabe, fazem muitas perguntas, inclusive os amigos de vocês, e não sabemos até quando conseguiremos enganá-los.
Eu lhes respondi com o sentimento que Ricardo me despertou naquele dia.
— Eu sempre falei pros dois que, em cada situação doravante, vocês terão de agir de acordo com ela. Vocês não têm a obrigação de falarem pra ninguém se não quiserem, ninguém precisa saber, exceto quem já sabe, vocês estão conscientes e isso protege o mundo que lhes rodeia. Senhoras, vocês deverão falar para os curiosos que Ricardo apenas está doente e lhes perguntem que diferença a doença faz, assim estaremos livrando-os dos preconceitos e da pior doença que existe, à qual a humanidade tanto teme; o abandono.
As duas estavam em pranto, abraçaram-me comovidas e se foram.
Nossa turma estava sempre com Ricardo, quando este teve que se afastar do colégio, seu abatimento foi visível, em minha presença, porém, sentia-se, inobstante abatido, um doente consciente de que a vida não garante um mundo de maravilhas para todos, nem a morte escolhe, apenas, os doentes; que nosso estado de saúde só diz respeito ao agora e que vida e morte, são faces de uma mesma moeda.
Em raros momentos, era assustador seu desprendimento e sua naturalidade, todos o admiravam sobremaneira, cada um tinha uma vaga idéia de seu sofrimento e pouco a pouco aprenderam não lhes fazer perguntas.
Nossa amizade era sólida de tal maneira, que só o tínhamos por doente na sala de aula, por sua falta.
Já fazia algum tempo que meu amigo sofria. Às vezes, desesperava-se com a sensação de nos deixar, pois só ele sentia que seus músculos já não sustinham suas forças e que seu eu, já não tinha a mesma bravura. Abraçava-se a nós e chorava o medo do nunca mais, claro que nós não segurávamos o nó na garganta. Nós o sentíamos partir.
Preferimos não contar seu tempo de dor, mas quando recebi seu telefonema, pensei que podia ser o último.
Eu o estranhei no telefone, ele falava tranqüilo; em pouco tempo eu chegava à sua casa; a turma, que morava mais próximo, aguardava-me do lado de fora.
Adentramos seu quarto, Soninha ao seu lado, sofria a dor de ambos e o medo do vazio que ele haveria de lhe deixar. Ajoelhei-me ao seu lado, tomei sua mão, frágil e quase fria, e ao encontrar seu olhar calmo, estrangulei minha dor com a certeza de que meu amigo morria. Na paz de seus últimos instantes, ainda quis dizer-me algo. Pronunciou, um inaudível, “muito obrigado”, colocou a mão de Soninha sobre a minha, como me pedindo que a ajudasse, nos olhou e em agonia soltou nossas mãos.
Tempos se passaram, e num lindo dia, após uma guerra silenciosa e desigual, mesmo assistida por todos seus fiéis soldados, Soninha partiu ao encontro de Ricardo que apenas partira.
Com exceção dos médicos e de seus pais, só eu sabia, e por isso sofri, mais que os outros talvez, a dor de uma AIDS que não era minha.

Fim.