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...VOU AMAR, ATÉ QUE O AMOR ACEITE QUE ELE NÃO TEM QUE SER RECÍPROCO.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Reforma política (?!)

Sou da opinião de que esse discurso apenas corrobora com uma teoria que defendo: a necessidade é de reforma dos políticos e não da política. Isso porque, enquanto buscarmos brechas, aqui ou ali, para tirarmos proveito desse ou daquele expediente, essas brechas não faltarão, elas estarão “dentro” de cada um de nós.
Não vejo solução à vista para uma reforma política descente. Se por um lado o voto distrital pode restabelecer os currais eleitorais com seus coronéis, por outro, o voto em lista (fechada) poderá não contemplar candidatos que destoem da cúpula dos partidos. Ou seja, volto a insistir, a reforma não pode ser um desafio para o político desonesto. Isso me parece a história do fazendeiro que desafiava seu boi ladrão com uma cerca intransponível.
Quanto ao financiamento de campanha ser público ou privado, é outra discussão que não aponta consenso. O financiamento público me parece razoável, mas sei que isso não interessa a quem tem coligação com grandes empresários, que prefere o financiamento público e privado. Por sua vez, o financiamento privado é desonesto, e não apenas para com os partidos, mas, especialmente, para com o eleitor (a sociedade), que fica privado de ouvir os candidatos que não dispõem de recursos suficientes para levar suas propostas a todo o eleitorado.
Eis porque não vejo saída fácil para uma reforma política honesta. Além disso, é importante sabermos se esta reforma assegurará razoabilidade de procedimentos políticos eleitorais com vistas ao interesse EXCLUSIVO da sociedade? Interesse EXCLUSIVO da sociedade porque a prioridade aqui deverá ser atender, sempre e unicamente, à necessidade do eleitor e nunca do político. O político, competente ou não, será compensado pelo seu salário, portanto, a prioridade deverá ser sempre o interesse da sociedade.
Pode-se observar que o problema não está, necessariamente, nos instrumentos com que se faz a política, mas nos procedimentos com que a fazemos, daí que não há reforma política que satisfaça a esses políticos que aí estão sem que eles sejam reformados. Nós, conscientes, estamos nos enganando com esse papo de reforma política, e os desonestos estão enganando o povo, não há reforma, há engodo.
Afinal, por que se reforma alguma coisa? Provavelmente, porque essa coisa foi e/ou está sendo mal usada, claro, por ignorância e/ou má fé. Conclui-se, portanto, que nós recebemos “tudo” perfeito e que nosso uso passou a deformar esse “tudo”, deformação essa que se multiplicou conforme os interesses de quem fez uso desse “tudo” original.
Refletindo mais, vamos observar que a pluralidade de interesses e forças vai ampliando, indefinidamente, a deformação das práticas humanas a ponto de nos encontrarmos com o resultado de nossa própria estupidez e percebermos que precisamos repensar nossos interesses no sentido de tentarmos fazer alguns ajustes/reformas, exatamente o que ora acontece com os procedimentos políticos.

Não dar para esperar que o mau político se eduque, aprenda as lições de respeito ao alheio e passe a dar orgulho a seus representados, o país só tem uma chance a curto ou médio prazo, instituir leis duras e claras, salvas de “interpretações” de juízes “politizados”, contra todo e qualquer desmando político, sob pena de continuarmos brincado de faz de conta, irresponsável e desonestamente.