Sou da
opinião de que esse discurso apenas corrobora com uma teoria que defendo: a
necessidade é de reforma dos políticos e não da política. Isso porque, enquanto
buscarmos brechas, aqui ou ali, para tirarmos proveito desse ou daquele
expediente, essas brechas não faltarão, elas estarão “dentro” de cada um de
nós.
Não vejo
solução à vista para uma reforma política descente. Se por um lado o voto
distrital pode restabelecer os currais eleitorais com seus coronéis, por outro,
o voto em lista (fechada) poderá não contemplar candidatos que destoem da
cúpula dos partidos. Ou seja, volto a insistir, a reforma não pode ser um
desafio para o político desonesto. Isso me parece a história do fazendeiro que
desafiava seu boi ladrão com uma cerca intransponível.
Quanto ao
financiamento de campanha ser público ou privado, é outra discussão que não
aponta consenso. O financiamento público me parece razoável, mas sei que isso
não interessa a quem tem coligação com grandes empresários, que prefere o
financiamento público e privado. Por sua vez, o financiamento privado é
desonesto, e não apenas para com os partidos, mas, especialmente, para com o
eleitor (a sociedade), que fica privado de ouvir os candidatos que não dispõem
de recursos suficientes para levar suas propostas a todo o eleitorado.
Eis porque
não vejo saída fácil para uma reforma política honesta. Além disso, é
importante sabermos se esta reforma assegurará razoabilidade de procedimentos
políticos eleitorais com vistas ao interesse EXCLUSIVO da sociedade? Interesse
EXCLUSIVO da sociedade porque a prioridade aqui deverá ser atender, sempre e
unicamente, à necessidade do eleitor e nunca do político. O político,
competente ou não, será compensado pelo seu salário, portanto, a prioridade deverá
ser sempre o interesse da sociedade.
Pode-se
observar que o problema não está, necessariamente, nos instrumentos com que se
faz a política, mas nos procedimentos com que a fazemos, daí que não há reforma
política que satisfaça a esses políticos que aí estão sem que eles sejam
reformados. Nós, conscientes, estamos nos enganando com esse papo de reforma
política, e os desonestos estão enganando o povo, não há reforma, há engodo.
Afinal, por
que se reforma alguma coisa? Provavelmente, porque essa coisa foi e/ou está
sendo mal usada, claro, por ignorância e/ou má fé. Conclui-se, portanto, que
nós recebemos “tudo” perfeito e que nosso uso passou a deformar esse “tudo”, deformação
essa que se multiplicou conforme os interesses de quem fez uso desse “tudo” original.
Refletindo
mais, vamos observar que a pluralidade de interesses e forças vai ampliando,
indefinidamente, a deformação das práticas humanas a ponto de nos encontrarmos
com o resultado de nossa própria estupidez e percebermos que precisamos
repensar nossos interesses no sentido de tentarmos fazer alguns ajustes/reformas,
exatamente o que ora acontece com os procedimentos políticos.
Não dar
para esperar que o mau político se eduque, aprenda as lições de respeito ao
alheio e passe a dar orgulho a seus representados, o país só tem uma chance a
curto ou médio prazo, instituir leis duras e claras, salvas de “interpretações”
de juízes “politizados”, contra todo e qualquer desmando político, sob pena de
continuarmos brincado de faz de conta, irresponsável e desonestamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário